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Liderança Sustentável – FIESP

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h218ª Semana do Meio Ambiente da Fiesp/h2
emGraciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp/em

Ricardo Voltolini, da empresa de estratégia em sustentabilidade Ideia Sustentável, fez nesta quarta-feira (8/6) palestra sobre liderança e sustentabilidade, como parte da 18ª Semana do Meio Ambiente da Fiesp. Líderes sustentáveis agem orientados por crenças, princípios e valores. Acreditam e praticam os conceitos que fundamentam a sustentabilidade. Isso, destacou Voltolini, é uma exceção. E essa é apenas a primeira das seis competências dos líderes sustentáveis identificadas por ele.

A segunda característica é ter coragem, coerência e resiliência. Líderes sustentáveis –terceira competência- são bons em construir sinergias, em envolver pessoas em torno da ideia, diz Voltolini. Visão de oportunidades é a quarta característica dos líderes sustentáveis. Líderes sustentáveis também educam outros líderes para a sustentabilidade. A sexta característica é ter visão sistêmica e noção de interdependência.

Informações coletadas ao longo de cinco anos de conversas com líderes e mais dois de pesquisa são a base das Seis Competências do Líder Sustentável, teoria que Voltolini desenvolveu e é usada em grandes escolas de administração.

O conceito que usa de sustentabilidade é de John Elkington, de emtriple bottom line/em (triplo resultado, a combinação de resultados econômicos, ambientais e sociais, de equilíbrio entre eles). É um conceito aspiracional, do que é perseguido em sustentabilidade, mas não é sempre atingido. Voltolini lembrou que a maioria das empresas tem foco na rentabilidade. Para chegar ao equilíbrio é preciso haver uma mudança de mentalidade, frisou. Só que no meio de uma crise como a atual, as empresas focam mais nos negócios. Mesmo assim, disse, a bonificação em algumas empresas brasileiras já está atrelada ao triple bottom line.

Um novo modo de pensar e fazer negócios, com ética, integridade, responsabilidade, transparência, respeito ao outro e ao meio ambiente é a definição adaptada por Voltolini do triple bottom line.

Como exemplo da necessidade de líderes sustentáveis citou o caso da Volkswagen, que adulterou testes de emissão de poluentes de carros vendidos em diversos mercados. O problema custou à empresa em 2015 US$ 18 bilhões em multas e à perda de 20% do valor de suas ações.  A pecha de insustentável leva a empresa a prejuízos incríveis.

Por que líderes sustentáveis? “Todo dia vejo uma ação de insustentabilidade prejudicando empresas e pessoas”, disse Voltolini, citando o caso da Samarco, com o megaacidente com suas barragens de mineração. Vivemos num mundo em que a sustentabilidade é um valor, e quem se opuser a isso vai sofrer, explicou.

strongQuando funciona e quando não/strong

Pesquisa com 50 presidentes de empresas foi feita para tentar entender por que em algumas os projetos de sustentabilidade avançam, e em outras não. Identificou cinco pontos comuns às empresas com melhor desempenho. O principal é um líder que acredita apaixonadamente no tema. Os outros são decorrentes disso. Vir de cima para baixo acelera o processo.

O estudo resultou num livro, cuja ideia cresceu e virou um movimento, chamado Liderança Sustentável, para estimular a disseminação do conceito.

Criou a partir dali as competências do líder sustentável. Frisou que esse tipo de pessoa é exceção. Há uma carência de lideranças em todos os campos, disse.

strongAs seis competências/strong

Líderes sustentáveis agem orientados por crenças, princípios e valores. Acreditam e praticam os conceitos que fundamentam a sustentabilidade.

Como exemplo disso, citou Rodrigo Kede, presidente da IBM, que estimula funcionários a ser voluntários em regiões carentes. Eles se tornam mais competentes, mais resilientes, mais engajados. Segundo Kede, o que conecta pessoas a empresas são seus valores.

Voltolini enxerga mudança de mentalidade importante nas empresas, com a valorização dos valores de quem as integra.

Na segunda competência – coragem, coerência e resiliência – o exemplo de Voltolini é Fábio Barbosa, que transformou o banco Real no final dos anos 90 numa experiência sustentável. Em vídeo, Barbosa contou a história da decisão de não emprestar dinheiro para madeireiras, que gerou pressão e perda de clientes – mas que acabou provocando a ida para o banco de uma madeireira que era certificada, explorando seu negócio sem predação da Amazônia. Convencer o banco demorou dois anos, disse Voltolini. Quando o Santander comprou o banco, houve um ágio de 25% sobre o valor de mercado identificado como o valor intangível da marca devido à sustentabilidade.

Na terceira competência, a de construir sinergias, envolver pessoas em torno da ideia, o caso mostrado por Voltolini foi o de Héctor Núñez, que criou programa de sustentabilidade pessoal para os funcionários do Walmart. Para se conectar a eles, conseguindo o registro de planos pessoais de 80% dos funcionários, apresentou-se fantasiado de super-herói (Capitão Água), para falar de sua experiência pessoal de sustentabilidade, de economizar água.

Visão de oportunidades é a quarta característica dos líderes sustentáveis. Pensar em sustentabilidade a partir do que se pode ganhar com ela é melhor do que pensar no que se pode perder se não houver sustentabilidade, disse Voltolini, citando. João Carlos Brega, da Whirpool, que defende a sustentabilidade como pilar dos negócios.

Líderes sustentáveis educam outros líderes para a sustentabilidade, afirmou Voltolini, usando como exemplo Andrea Alvares, que foi da PepsiCo e agora é vice-presidente da Natura. Para fazer avançar o tema da sustentabilidade, ela tirou 30 executivos do trabalho na PepsiCo para uma excursão a um corpo de água poluído, repleto de embalagens da empresa, o que resultou num programa de redução do uso de matéria-prima nas embalagens.

Para ilustrar a sexta competência dos líderes sustentáveis – ter visão sistêmica e noção de interdependência -, Voltolini recorreu a Guilherme Leal, um dos fundadores da Natura, que em vídeo declarou: “Não existe parte independente do resto.”